
Impacto dos escores de risco poligênico para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade na doença de Alzheimer
23.jan.2025 | Alzheimer's & Dementia
Estudos mostram que o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) pode aumentar o risco de demência, mas ainda não está claro como isso afeta a cognição e os marcadores da doença de Alzheimer (DA). Neste estudo, analisamos o risco genético para TDAH em 938 pessoas com comprometimento cognitivo, incluindo Alzheimer. Os resultados indicaram que indivíduos com maior risco genético para TDAH apresentaram pior desempenho em funções cognitivas, maior acúmulo da proteína tau (ligada à DA) e menor metabolismo cerebral em áreas importantes para o pensamento e a memória. Isso sugere que o TDAH pode estar ligado a uma forma mais grave de demência.

Disparidades sociais e de saúde associadas ao envelhecimento cerebral saudável no Brasil e em outros países da América Latina
01.Fev.2025 | The Lancet Global Health
Este estudo analisou como fatores sociais e de saúde influenciam o envelhecimento saudável do cérebro em diferentes países da América Latina, incluindo o Brasil. Os resultados mostram que, tanto no Brasil quanto em outros países da região, desigualdades sociais e de saúde têm um impacto maior na cognição e funcionalidade do que fatores demográficos, como idade e gênero. No Brasil, a educação foi identificada como o principal fator de risco para a saúde cerebral, enquanto em outros países, sintomas de saúde mental tiveram um papel mais relevante. Além disso, no Brasil, problemas de saúde mental foram o maior fator de risco para a capacidade funcional. Esses resultados mostram que, embora existam padrões comuns entre os países latino-americanos, cada nação tem características únicas que precisam ser consideradas para entender melhor os riscos ao envelhecimento cerebral saudável.

Iniciativas valiosas para compreender e combater o estigma em formas mais raras de demência
20.Set.2024 | ADI World Alzheimer Report 2024
A doença de Alzheimer é a principal causa de demência, mas outras doenças neurodegenerativas, como a demência frontotemporal (DFT) e a demência com corpos de Lewy, recebem menos atenção. A variante comportamental da DFT (bvFTD) é frequentemente subdiagnosticada, pois ainda não existem biomarcadores confiáveis para confirmar seu diagnóstico. A bvFTD se manifesta com sintomas comportamentais e psiquiátricos, como impulsividade, apatia, compulsões, perda de empatia e até comportamentos criminosos. Esses sintomas são frequentemente confundidos com transtornos psiquiátricos, levando a diagnósticos errados – em um estudo, 50% dos pacientes (e 70% das mulheres) foram inicialmente diagnosticados com problemas psiquiátricos. A falta de compreensão sobre a doença pode gerar estigma e afastamento de familiares e amigos. Além disso, os cuidadores de pessoas com bvFTD sofrem um impacto emocional maior do que aqueles que cuidam de pacientes com Alzheimer, apresentando mais estresse, depressão e sensação de perda de controle. Alguns estudos indicam que a bvFTD e a doença de Jakob-Creutzfeldt são as doenças neurodegenerativas que mais sobrecarregam os cuidadores. Para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores, é fundamental aumentar a conscientização sobre a bvFTD, melhorar os métodos de diagnóstico e desenvolver abordagens mais eficazes de suporte e tratamento.

Perspectivas sobre o uso de biomarcadores em ensaios clínicos na doença de Alzheimer
03.Out.2024 | The Lancet eBioMedicine
Biomarcadores são ferramentas essenciais para selecionar participantes e acompanhar a progressão da doença de Alzheimer em testes clínicos de novos medicamentos aprovados. Com o avanço das pesquisas, seu papel na busca por tratamentos eficazes cresce rapidamente. Este estudo analisa como biomarcadores são usados no contexto clínico e pesquisa, especialmente para medicamentos que atuam nas proteínas beta-amiloide e tau, principais envolvidas na doença. Além disso, destaca um sistema padronizado que ajuda cientistas e médicos a se comunicarem melhor sobre esses avanços, facilitando o desenvolvimento de novas terapias.

Sintomas Neuropsiquiátricos e Ativação Microglial em Pacientes com Doença de Alzheimer
27.Nov.2023 | JAMA Network Open
Neste estudo, investigamos a relação entre inflamação no cérebro e sintomas neuropsiquiátricos em pacientes com doença de Alzheimer. Analisamos imagens cerebrais para detectar a ativação de células chamadas microglia, associadas à inflamação. Os resultados mostraram que níveis elevados de inflamação são associados a sintomas como irritabilidade. Além disso, esse sintoma também aumenta a sobrecarga dos cuidadores. Esses achados sugerem que a inflamação microglial pode ser um marcador biológico desses sintomas e que terapias direcionadas tanto para a proteína beta-amiloide quanto para a microglia podem ajudar a aliviar sintomas como irritabilidade em pacientes com Alzheimer.

Empatia como habilidade crucial para reduzir desigualdades na saúde cerebral global
15.Dez.2023 | Frontiers in Neurology
A saúde cerebral refere-se ao bom funcionamento mental em diversas áreas, como cognição, comportamento e movimentos. Um cérebro saudável melhora a qualidade de vida, aumenta a criatividade e a produtividade. No entanto, fatores sociais, raciais e ambientais influenciam essa saúde, criando desigualdades dentro e entre diferentes regiões do mundo. Para reduzir essas disparidades, é essencial que profissionais de saúde colaborem mais com as comunidades, adotando uma abordagem baseada na empatia. A empatia ajuda a entender melhor as necessidades das pessoas e a criar soluções mais justas para promover a saúde cerebral global.

Variante comportamental da Demência Frontotemporal de início muito precoce em um paciente com uma variante de significado incerto de uma mutação no gene FUS
22.Ago.2022 | Neurocase
Este relato foi publicado sob a supervisão e mentoria do Professor Dr. Bruce Miller, que é a maior autoridade em Demência Frontotemporal no mundo. O Dr. Miller é um mentor muito especial na minha trajetória acadêmica e profissional. Este estudo em particular relata o caso de um jovem de 24 anos que apresentou alterações comportamentais e, em poucos meses, desenvolveu comprometimento cognitivo grave e perda de funcionalidade, sugerindo o diagnóstico de Demência Frontotemporal variante comportamental. Exames genéticos identificaram uma mutação no gene FUS.

Síndrome Atáxica Cerebelar: Relato de Caso e Breve Revisão da Literatura
10.11.2020 | Revista Científica da FAB
Relatamos o caso de uma paciente feminina que iniciou com vertigem, náuseas e desequilíbrio com evolução para dificuldade na marcha, inapetência, perda de peso sem alteração alimentar, movimentos oculares e episódios de vertigem mais acentuados. Em março, consultou na emergência do Hospital de Aeronáutica de Canoas (HACO) com sintomas de vertigem e nistagmo persistentes, que motivaram a internação. Este caso ilustra adequadamente alguns dos aspectos mais chamativos da síndrome paraneoplásica neurológica. A evolução rápida de sintomatologia e a identificação de uma neoplasia sugerem o diagnóstico de Degeneração Cerebelar Paraneoplásica (DCP).

Efeitos do treinamento cognitivo como tratamento adicional aos estimulantes no TDAH: um estudo piloto de fMRI
14.Out.2020 | Brain Imaging and Behavior
Este estudo investigou como o treinamento cognitivo (TC) afeta a atividade cerebral de crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) que já estavam em tratamento com medicação estimulante. Os resultados mostraram que o grupo que fez TC apresentou mudanças na ativação de áreas do cérebro ligadas à memória e atenção, como o córtex parietal e regiões relacionadas à regulação emocional e ao foco. Essas alterações cerebrais podem ocorrer antes mesmo de melhorias no desempenho dos testes, sugerindo que o TC pode ajudar na regulação da atenção e memória em crianças com TDAH.

Desconexão cortical na Dislexia: Um Estudo de Neuroimagem com Crianças Brasileiras
07.Fev.2018 | Developmental Neuropsychology
Este estudo investigou o funcionamento do cérebro em crianças brasileiras com e sem dislexia. Foram realizados dois exames de ressonância magnética funcional (fMRI): um em repouso e outro durante a leitura de palavras. Os resultados mostraram que crianças com dislexia apresentam menor conexão entre a região do cérebro responsável pelo reconhecimento visual das palavras e a rede cerebral de repouso, além de ativarem menos uma área ligada à atenção em comparação com crianças sem dislexia. Esses achados ajudam a entender como o cérebro funciona de forma diferente na dislexia, especialmente em uma população pouco estudada.

Conectividade funcional da amígdala e transtornos de ansiedade em adolescentes e adultos
22.Set.2016 | Psychiatry Research: Neuroimaging
Este estudo investigou como áreas do cérebro se conectam em pessoas com e sem ansiedade. Usando exames de ressonância magnética funcional, analisamos a atividade do cérebro em repouso de participantes com e sem transtorno de ansiedade. Os resultados mostraram que pessoas com ansiedade apresentam uma comunicação alterada entre a amígdala (região do cérebro ligada ao medo e às emoções) e outras áreas responsáveis pelo controle emocional. Esses achados sugerem que a ansiedade pode estar relacionada a um desequilíbrio na forma como essas áreas do cérebro interagem.

Sulforafano resgata a disfunção da memória e sináptica induzidas pelo acúmulo de ferro no cérebro
20.Ago.2015 | IBRO Neuroscience
Este estudo investigou os efeitos do sulforafano (SFN), um composto natural com propriedades antioxidantes, em modelos experimentais expostos a altas doses de ferro. Os resultados mostraram que o SFN ajudou a restaurar proteínas essenciais para a função das células cerebrais e melhorou a função da memória. Isso sugere que o SFN pode ser uma opção promissora para tratar déficits cognitivos em doenças neurodegenerativas.

Duas fases de degradação de proteínas no cérebro são essenciais para a consolidação da memória
14.Fev.2015 | Neurobiology of Learning and Memory
Este estudo mostrou que a atividade de um mecanismo celular chamado proteassoma é essencial para que o cérebro consolide memórias. Quando esse mecanismo foi temporariamente bloqueado em uma região do cérebro chamada hipocampo, foi observado um prejuízo na consolidação da memória após 24h. No entanto, quando a inibição ocorreu depois que a memória já havia sido consolidada, não houve impacto. Esses resultados sugerem que a quebra e renovação de proteínas no cérebro desempenham um papel fundamental na fixação das memórias logo após aprendermos algo novo.